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Transformação espiritual no Brasil: como ter paz num país dividido

Baseado na live de · 8 min de leitura

Na minha live de 23 de outubro de 2026, a dois dias do segundo turno das eleições, eu quis conversar com você sobre algo que vai além da política e da economia. Não vou falar de candidato nem de partido. Quero falar do Brasil das pessoas, que somos nós.

Antes, um aviso que sempre faço: não acredite em nada do que eu falo. Experimente. O que apresento aqui é a vida sob as minhas lentes. Cada um usa um par de óculos, que são a nossa visão de mundo e as nossas crenças. Não é verdade absoluta, é a forma como eu enxergo.

Por que as pessoas estão tão intolerantes?

Você já teve a sensação de que as pessoas estão mais intolerantes? Isso aparece nas redes sociais e, muitas vezes, dentro da própria casa: familiares se afastando por causa de opiniões e cada vez mais dificuldade de conversar com quem pensa diferente.

E isso não é privilégio do Brasil. O planeta está polarizado, e acontece na Europa e nos Estados Unidos também. Preocupações econômicas, políticas e sociais são legítimas, sim. Mas eu proponho olhar para tudo isso por outra perspectiva: a da evolução da consciência humana.

Evolução tecnológica é evolução espiritual?

Será que a humanidade está evoluindo espiritualmente ou caminhando na direção contrária? Acho que às vezes confundimos evolução tecnológica com evolução da consciência.

A tecnologia é incrível. Veja o que a inteligência artificial já faz nas nossas vidas. Hoje eu falo toda semana, com câmera, com as minhas irmãs que moram nos Estados Unidos. Sinto falta do abraço, mas aquela separação de antes praticamente acabou.

Só que nunca tivemos tanto acesso à informação, e isso não significa mais sabedoria. Estamos mais conectados, mas talvez emocionalmente mais distantes. Sabemos muito sobre o universo e pouco sobre nós mesmos. Nossa civilização envia equipamentos para outros planetas, mas não consegue respeitar alguém que pensa diferente.

Na Casa do Consolador, um centro eclético aqui de São Paulo, sempre se fala que, para fazer a sua evolução espiritual, bastam três coisas:

  • Conhecimento: vá buscar conhecimento.
  • Autoconhecimento: procure saber que tipo de ser você é.
  • Prática do bem.

O outro é espelho da gente

Uma das coisas que mais demorei para entender aprendi no curso do Arita: o outro é espelho da gente. Se alguém faz algo que te incomoda, pode ter certeza de que você também faz, em algum grau, a mesma coisa. Quando ouvi isso, pensei: “Imagina, o problema é dele”. Só que não.

A Natália, minha filha, me disse um dia: “Pai, sabe por que eu não faço tal coisa? Porque você me manda fazer”. Achei que não fazia sentido. Dias depois, comentei com uma pessoa próxima que pensava em passar o Natal com as minhas irmãs nos Estados Unidos. Ela perguntou se eu já tinha olhado o passaporte, dado entrada na Polícia Federal, pago a guia. Dias depois, de novo: “E aí, já pagou?”. Aquilo me incomodou demais.

Foi quando a minha cabeça explodiu: eu estava incomodando a Natália exatamente do jeito que estavam me incomodando. Então, preste atenção no que te irrita nos outros. Se te incomoda alguém que sempre corta a conversa, observe se você também não faz isso.

O que é transição planetária?

É uma ideia muito ligada à tradição espírita, mas que encontro também em outras filosofias. A humanidade estaria passando por um longo processo de transformação moral e espiritual, saindo de uma condição marcada pelo sofrimento, pelo egoísmo e pelos conflitos em direção a uma convivência mais fraterna. No espiritismo, fala-se em sair de um planeta de expiações e provas para um planeta de regeneração.

O ponto principal: é um processo, não um evento. Atravessa gerações. O Vital Frosi, um senhor que eu sigo na internet, diz que ela começou por volta de 1700 e leva cerca de 350 anos para se concluir. Estaríamos no ápice.

E transformação nem sempre é confortável. O que chamamos de crise, de comportamentos, crenças e valores, pode ser uma oportunidade de perceber o que ainda precisamos aprender como humanidade. Mas não existe evolução sem responsabilidade individual. Não basta esperar o mundo melhorar; precisamos participar por meio das nossas escolhas.

Meu pai tem 88 anos e não é mais obrigado a votar. Estava reclamando da política, e minha irmã perguntou: “Pai, você votou?”. Não tinha votado. Ela disse que não dava para reclamar sem participar. Ele decidiu votar no segundo turno, “para ter direito de reclamar”. Faz sentido: entre em ação.

Por que nos incomodamos tanto com quem pensa diferente?

Eu me incomodo, sim. Sou normal, tenho ego, identidade e opinião. O problema é que muitas vezes confundimos a nossa opinião com a nossa identidade. Quando alguém questiona uma crença, sentimos como se atacassem quem nós somos.

O ego deseja vencer a discussão. A consciência deseja compreender.

Dá para discordar profundamente sem transformar o outro em inimigo. No budismo, se diz que uma fonte de sofrimento é o apego às nossas próprias opiniões. Na meditação vipassana, quando surge uma sensação, a orientação é não ficar com raiva nem alegre com ela: apenas observar.

Todos queremos um Brasil melhor: segurança, prosperidade, saúde, educação. O que muda é o caminho em que cada um acredita. E compreender não significa concordar; respeitar alguém não exige aceitar injustiça, corrupção, violência ou atitudes antiéticas.

Um exercício: pense em alguém com quem você teve um desentendimento político. Agora lembre três qualidades dessa pessoa que não têm nada a ver com política. Quando reduzimos alguém à opinião política, deixamos de enxergar o ser humano inteiro.

Um amigo, quase irmão, se posicionou politicamente nas redes, e o primeiro comentário dizia: “Eu continuo te amando do mesmo jeito”. Você é capaz de dizer isso a quem pensa o contrário de você, sem “mas”?

Queremos políticos honestos, mas somos honestos nas pequenas decisões? Queremos menos violência, mas que agressividade alimentamos nas palavras? A transformação pessoal não substitui as instituições, a justiça e a responsabilidade dos governantes. As duas coisas são necessárias.

Prefiro ser feliz do que estar certo

Uma vez, a Andrea, minha esposa, e eu discutíamos opiniões, sem briga. De repente ela disse: “Não vou mais discutir com você sobre esse assunto, porque você sempre ganha. Você sempre tem um argumento que eu não consigo refutar”.

Minha primeira reação foi dizer que não era verdade. Mas, com treino, parei e lembrei: o outro é espelho. Será que eu era aquele sabichão que está sempre certo? Caiu uma ficha gigantesca. Desde então, repito: eu prefiro ser feliz do que estar certo. Estou mudando devagarzinho.

Um ex-patrão meu, bilionário e muito sereno, me disse que o segredo da vida é ser feliz, começando pela gratidão. Agradeça o café, a fruta na mesa que alguém plantou, regou e colheu, o passarinho cantando e o seu corpo, que funciona sozinho enquanto você lê este texto.

Uma frase para levar

Eu prefiro ser feliz do que estar certo.

Ser feliz não é ser omisso: dá para opinar e respeitar.

Medo do futuro: como ter paz interior com o dinheiro

Converso com muitas pessoas que construíram patrimônio por décadas e vivem com medo da economia, do governo, de perder dinheiro. Sempre mostro que precisamos nos preparar para o futuro sem deixar de viver o presente.

  • Ter prudência e uma reserva da tranquilidade é diferente de viver permanentemente assustado.
  • Estar informado é diferente de consumir notícias que alimentam a ansiedade o dia inteiro.
  • Planejar é importante, mas nenhuma carteira elimina todas as incertezas.

O que você não controla, não adianta brigar. O que você controla, controle: se posicione financeiramente, medite. Não elimina a ansiedade, mas diminui.

O medo é útil para avisar que há perigo; o que prejudica é o medo que paralisa. Tenho uma mentorada com quem já fiz umas cinco reuniões, e ela trava. Eu digo: vai com medo mesmo. E sugiro: inspire imaginando que puxa coragem; ao soltar o ar, imagine o medo saindo. Faça três vezes.

Prudência x medo que paralisa
Prudência
  • Ter a reserva da tranquilidade
  • Estar informado
  • Controlar o que dá para controlar
Medo que paralisa
  • Viver permanentemente assustado
  • Notícias que alimentam a ansiedade
  • Brigar com o que não controla

Cinco atitudes para ter paz em um mundo polarizado

  1. Pratique a escuta. Compreenda antes de responder. Uma técnica: repita, de forma sutil, o que a pessoa acabou de dizer.
  2. Observe suas emoções. Perceba quando medo, raiva e orgulho conduzem suas atitudes.
  3. Questione suas certezas. Aceite que pode não conhecer todos os lados. O caso do elefante Sandro, transferido de Sorocaba para um santuário, tomou o Instagram da Andrea, e muita gente nunca ouviu falar. O algoritmo mostra o que cada um quer ouvir, e vivemos realidades paralelas.
  4. Exercite a compaixão. Trate com dignidade todo mundo, inclusive família e amigos que pensam diferente.
  5. Seja coerente. Pratique no dia a dia os valores que deseja ver na sociedade.

Ninguém precisa ser perfeito. Eu não sou. A transformação é exercício diário, e ir devagar ou rápido é uma escolha.

Cinco atitudes para a paz
  1. Pratique a escutaRepita, com sutileza, o que a pessoa disse
  2. Observe suas emoçõesNote quando medo, raiva e orgulho conduzem
  3. Questione suas certezasVocê pode não conhecer todos os lados
  4. Exercite a compaixãoDignidade até com quem pensa diferente
  5. Seja coerentePratique os valores que quer na sociedade

A transformação do Brasil começa dentro de nós

Independentemente do resultado da eleição, o Brasil continua sendo nossa casa, e quem pensa diferente continua sendo nosso familiar, amigo e vizinho.

Talvez a maior transformação espiritual de que o Brasil precisa não seja um novo líder ou ideologia, mas uma nova consciência: ninguém é dono absoluto da verdade, e podemos lutar pelo que acreditamos sem odiar quem acredita em outra coisa, defender a justiça sem abandonar a compaixão.

A pergunta mais importante talvez não seja “quando o mundo vai mudar?”, e sim “o que eu estou fazendo para me tornar uma pessoa melhor?”. O Brasil somos nós. Cada vez que escolhemos a honestidade, a compreensão, o diálogo e o amor em vez do ódio, ajudamos a construir um país melhor.

Momentos da live

Assista à live completa no YouTube

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