O planeta está mudando. E nós? Pequenas atitudes, grande impacto
Toda sexta-feira, às 8h08, no Projeto 808, eu me permito sair um pouco das finanças para falar de outros assuntos que fazem parte da minha vida. Na live de 16 de outubro de 2026, o tema foi sugestão da Andreia, minha esposa: mudanças climáticas. Minha primeira reação foi dizer que eu não tinha autoridade para isso, mas percebi que essa conversa é importante. Não é uma aula de ecologia nem um debate político. É uma reflexão sobre consciência e responsabilidade.
Que planeta estamos deixando para nossos filhos e netos?
A gente passa boa parte da vida preocupado com o futuro: aposentadoria tranquila, patrimônio, uma vida melhor para filhos e netos. Mas talvez esteja esquecendo uma pergunta: que planeta estamos deixando para eles?
A humanidade criou inteligência artificial e robôs, e hoje estuda galáxias distantes. Mas será que estamos desenvolvendo sabedoria na mesma velocidade? Estamos sabendo cuidar da nossa própria casa, o planeta Terra?
Qual a diferença entre tempo e clima?
Tem gente que diz: "Hoje está frio, então não existe aquecimento global". Aqui é preciso separar duas coisas.
Tempo é o que acontece hoje, ontem ou na semana que vem. Dois dias antes da live, uma chuva forte alagou trechos da Avenida 23 de Maio, em São Paulo. No Vale do Anhangabaú, carros ficaram boiando, e o lago do Ibirapuera transbordou. Aquilo é tempo.
Clima é o comportamento dessas condições ao longo de décadas, e é olhando para ele que a ciência tira conclusões.
- O que acontece hoje, ontem ou na semana que vem
- Exemplo: o alagamento da 23 de Maio
- Um dia frio não diz nada sobre o clima
- Comportamento das condições ao longo de décadas
- É o que a ciência analisa
- Mostra a tendência de aquecimento
O planeta está com febre?
Na live, citei uma estimativa da Organização Meteorológica Mundial: em 2025, a temperatura média do planeta ficou cerca de 1,43 °C acima da média pré-industrial.
"Ah, Celso, é só um pouquinho." Sua temperatura corporal fica em torno de 36,5 °C. Se ela sobe 1,4 °C, você está com febre. Então pergunto: será que o planeta está com febre?
Estudos sérios concluem que a influência humana sobre o aquecimento global é inequívoca. E o aquecimento aumenta o risco de ondas de calor, secas, chuvas intensas e outros eventos extremos. O Brasil já sentiu isso com as enchentes no Rio Grande do Sul, as secas na Amazônia e as ondas de calor.
Nenhum desastre isolado prova o aquecimento global. Mas a ciência mostra que as mudanças climáticas alteram a probabilidade e a intensidade desses eventos. Quando o nosso corpo tem febre, a gente não ignora. Com o planeta não deveria ser diferente.
O que é o efeito estufa, de um jeito simples
A Terra recebe energia do Sol e devolve parte dela para o espaço. Alguns gases da atmosfera retêm parte desse calor, o que é natural e necessário para a vida. O problema é que nossas atividades estão aumentando a concentração desses gases: combustíveis fósseis, desmatamento, processos industriais e agropecuária.
Agropecuária, Celso? Sim. Não sou cientista, mas existem estudos mostrando que o metano produzido por bois, vacas e porcos (em outras palavras, o pum desses bichos) contribui para o efeito estufa.
Por que a gente sabe o que fazer e mesmo assim não faz?
Sabemos que precisamos cuidar da saúde, guardar dinheiro para a aposentadoria e preservar o meio ambiente. Mesmo assim, muitas vezes não fazemos nada disso, e eu me incluo.
Uma explicação é o imediatismo: preferimos uma recompensa pequena hoje a um benefício maior no futuro. Por isso é difícil mudar um comportamento cujos efeitos só aparecem daqui a décadas. A outra é a sensação de impotência: "O que adianta eu fazer algo se milhões continuam fazendo errado? Sou só uma formiguinha." Eu mesmo já pensei assim.
O que os juros compostos têm a ver com o meio ambiente
Quando ensino juros compostos, mostro que pequenas atitudes repetidas durante muitos anos produzem resultados extraordinários. Com o meio ambiente é parecido: pequenas atitudes, quando adotadas por muita gente, podem gerar um grande resultado no longo prazo.
O fato de eu não conseguir resolver o problema inteiro não significa que eu não tenha responsabilidade sobre a parte que me cabe.
Cada um faz a sua parte, sem ficar olhando se o outro está fazendo a dele.
Atitudes sustentáveis que praticamos aqui em casa
Não somos exemplos perfeitos de sustentabilidade, longe disso. Mas procuramos cultivar alguns hábitos:
- Sacolas de tecido: não pegamos sacola plástica no supermercado.
- Saquinhos de pano: no sacolão, frutas e verduras vão em saquinhos de pano que ficam no carro. Também reaproveitamos saquinhos plásticos antigos, levando o mesmo saquinho de volta.
- Na padaria: o pão já vem no saquinho de papel, então dispensamos o plástico extra.
- Recicláveis: lavamos e secamos as embalagens antes de separar. Catadores e cooperativas transformam o que seria lixo em matéria-prima.
- Arte com papelão: a Andreia é artista e transforma papelão em bichinhos, móveis em miniatura e até em um castelo de Halloween, que depois foi doado.
Parece pouco, mas pense em quantas sacolinhas uma família deixa de consumir em um ano.
Descascar mais, desembalar menos
A Andreia sempre me diz: "Opte por descascar e não desembalar". Por que comprar milho enlatado se posso comprar o milho in natura? Quando não der para evitar a embalagem, prefira papel, metal ou vidro ao plástico. Muito plástico não consegue mais ser reciclado. Ele vai parar na terra e nos oceanos e vira microplástico, que acaba no peixe que você come.
Opte por descascar e não desembalar
Prefira alimentos in natura e reduza embalagens
Consumismo: dá para comprar menos sem abrir mão do conforto?
Não acho que precisamos abrir mão do conforto. Mas podemos perguntar se aquilo que compramos realmente acrescenta algo à nossa vida. Existe uma indústria do consumismo, com cupons de desconto em todo aplicativo, e tem gente que compra e nem desembala. Muitas vezes, por trás disso, há alguma carência emocional. Como lembrou uma participante da live, quem adquire o hábito de poupar e investir passa a consumir o essencial.
Também contei de um documentário que me chocou. Roupas de poliéster descartadas nos Estados Unidos vão para doação e, quando não há mais quem receba, seguem para países da África, que já estão lotados. As imagens mostravam praias inteiras cobertas de roupa, que o mar vai levando e transformando em microplástico.
Alimentação e a nossa relação com os animais
A Andreia é vegana. Eu sou vegetariano: ainda como ovo, queijo e peixe. Estou no meu processo, e minha saúde melhorou muito.
A Andreia costuma lembrar que cerca de 80% das terras agrícolas do mundo, incluindo pastagens, são usadas para a produção de origem animal, enquanto milhões de pessoas passam fome. A fome tem outras causas, como pobreza, conflitos e desigualdade, mas esse paradoxo merece reflexão. Ela também diz que não somos donos do planeta, somos um dos seus habitantes. Por isso evitamos couro, até nos bancos do carro.
Não tenho moral para dizer a ninguém o que fazer, porque ainda salivo com cheiro de churrasco. O convite é reduzir um pouco os produtos de origem animal, mesmo sem virar vegetariano. Mudanças graduais na alimentação podem reduzir impactos ambientais.
Inteligência não é a mesma coisa que sabedoria
Num domingo aéreo em São Paulo, vi um caça passar dando rasante. Que coisa extraordinária, uma máquina mais rápida que o som! Só que é uma máquina de guerra: inteligência sem sabedoria.
Às vezes vivemos como se fôssemos separados da natureza, mas nós somos natureza. O oxigênio, a água e os alimentos dependem de sistemas naturais. Quando percebemos a conexão entre todas as formas de vida, deixamos de perguntar só o que podemos extrair da natureza. Passamos a perguntar como viver em harmonia com ela.
Desafio de 30 dias: por onde começar
Algumas ideias para os próximos 30 dias:
- Levar sacolas reutilizáveis ao supermercado.
- Evitar embalagens descartáveis.
- Separar corretamente os recicláveis.
- Reduzir o desperdício de alimentos.
- Experimentar refeições com menor impacto ambiental.
- Comprar menos coisas desnecessárias.
- Consertar, doar e reutilizar antes de descartar.
Não quero que você saia daqui com culpa, e sim com vontade de agir. Escolha uma atitude, pratique por 30 dias e depois escolha outra. Preservar o planeta também exige ações de empresas e governos, mas vamos fazer o que está ao nosso alcance.
- Escolha uma atitudeSacolas reutilizáveis, menos embalagens, reciclagem...
- Pratique por 30 diasSem culpa, com vontade de fazer
- Escolha outra atitudeE vá somando hábitos, como nos juros compostos
A herança que não cabe na conta bancária
Passei muitos anos ensinando as pessoas a cuidar do dinheiro e a se preparar para o futuro, e continuo acreditando nisso. Mas existe uma herança que é de todos nós: a água que nossos filhos e netos vão beber, o ar que vão respirar, as florestas e os animais que ainda existirão. Ela não depende do tamanho da conta bancária, e sim das escolhas que fazemos hoje. Talvez o maior sinal de evolução de uma sociedade não seja a riqueza que ela produz, e sim a sua capacidade de preservar a vida e o futuro.
Daqui a 50 anos, você quer que seus netos digam que sabíamos o que estava acontecendo e não fizemos nada? Ou que, mesmo com nossas limitações, tivemos a coragem de começar a mudar?
Momentos da live
- 7:05 Que planeta estamos deixando para filhos e netos?
- 9:07 A diferença entre tempo e clima
- 10:08 1,43 °C acima da média: o planeta está com febre?
- 12:09 Como funciona o efeito estufa
- 17:11 Imediatismo e sensação de impotência
- 18:12 Juros compostos aplicados ao meio ambiente
- 20:13 Os hábitos sustentáveis que praticamos em casa
- 1:02:13 Desafio de 30 dias e a herança para as próximas gerações
Assista à live completa no YouTube
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