O Jogo da Vida e Como Jogá-lo: lições para viver com mais paz
Na live do Projeto 808 de 30 de outubro de 2026, o Café com CDF #362, deixei de lado Tesouro, bolsa, juros e inflação para falar sobre a vida. Estou relendo O Jogo da Vida e Como Jogá-lo, de Florence Scovel Shinn, publicado em 1925, e é impressionante como um livro centenário continua tão atual.
A autora parte de algo que você conhece bem: passamos a vida lutando para ganhar dinheiro, conquistar coisas, não perder o que conquistamos e ter reconhecimento. Quando finalmente conseguimos algo, já estamos preocupados com a próxima coisa. Será que é assim que devemos viver?
Por que ler O Jogo da Vida e Como Jogá-lo
É um livro curtinho, de 96 páginas e letra grande, que dá para ler em uma hora e meia ou duas. Gosto de relê-lo, porque a cada leitura sou uma pessoa diferente e enxergo ensinamentos que não tinha percebido antes.
Um aviso: é um livro espiritual, mas não ligado a uma religião. Não acredite em tudo o que eu digo; reflita comigo.
A vida é uma batalha ou um jogo?
O livro começa com uma frase forte: a maioria das pessoas considera a vida uma batalha, mas ela é um jogo. Não um jogo para derrotar os outros, e sim para compreender certas regras.
Uma delas: o que cultivamos dentro de nós influencia o que fazemos. Quem vive com medo decide com base no medo. Quem desconfia de todo mundo pode destruir relacionamentos importantes. Quem acha que nunca terá o suficiente pode passar a vida acumulando sem desfrutar.
Um exemplo pessoal: na infância, minha família era muito pobre e passou por muita privação. Isso se refletiu na minha relação com dinheiro, no medo de faltar e de voltar a ser pobre. Um medo meio insano, porque tenho faculdade, mestrado e consigo gerar renda. Esse tipo de medo costuma vir de traumas de infância, ou seja, de crenças.
Lei da prosperidade: sorte é preparo encontrando oportunidade
Florence escreve algo como: prepare-se para receber aquilo que deseja, em vez de viver preocupado com a sua ausência. Não basta desejar. É como querer tranquilidade financeira sem nunca organizar as finanças, e é para isso que ensinamos os potes da prosperidade.
Ouvi do Lair Ribeiro uma frase atribuída a Sêneca: sorte é quando a oportunidade encontra o preparo. Se eu oferecer um emprego de 1 milhão de dólares por mês exigindo mandarim, alemão, inglês e português, e você só falar inglês e português, a oportunidade passa batida. E há oportunidades que você nem enxerga: quem nunca estudou títulos públicos não vê o que quem estuda consegue ver.
Florence também fala em confiar na abundância em vez de viver na escassez. Prosperidade não é só dinheiro: é ter recursos, saúde, relacionamentos, propósito e, principalmente, paz para desfrutar. Muita gente junta dezenas de milhões e continua trabalhando não por prazer, mas por medo de faltar.
Quanto é ter dinheiro suficiente?
Faço a você a pergunta que faço a mim mesmo: o que significa ter o suficiente?
Coloque um valor. Na PNL falamos em ter um número na cabeça, porque o cérebro precisa de clareza. Para ele, R$ 1 a mais já é "mais dinheiro", e "muito dinheiro" é subjetivo demais.
Depois pense: com esse valor, você estaria emocionalmente tranquilo? Ou estaria gastando R$ 20 mil, R$ 30 mil, R$ 40 mil por mês, e a tranquilidade iria para o espaço? Com o valor definido, você tem um sonho. Quando coloca uma data, ele vira meta.
Sonho não tem data. Meta tem data.
Defina o valor do seu "suficiente" e coloque uma data
O poder da palavra e as crenças limitantes
Costumo dizer que, para ser alguém altamente realizador, você precisa falar em voz alta o que vai fazer. As palavras que repetimos fortalecem o que é pronunciado, seja o medo, sejam atitudes positivas.
Quantas vezes você diz que a vida é difícil, que nunca tem dinheiro, que tudo dá errado? Repetidas por anos, essas frases viram crenças, e crenças influenciam decisões. Dá para substituí-las.
Não é fingir que os problemas não existem; enquanto estivermos aqui, eles vão existir. O cuidado é não transformar um problema temporário em identidade permanente. Que frase negativa você repete há tanto tempo que nem percebe mais?
- Eu nunca tenho dinheiro
- Tudo dá errado comigo
- Eu sou azarado
- Estou aprendendo a administrar meus recursos
- Estou aprendendo com as dificuldades
- Eu sou próspero
Lei da não resistência: pare de lutar contra o que não controla
Aquilo contra o que lutamos continuamente segue ocupando nossa atenção e energia. Você controla o resultado das eleições? Não, só o seu voto.
Não resistir não é aceitar injustiças, abandonar responsabilidades ou deixar de agir. É não desperdiçar a paz brigando mentalmente com o que já aconteceu ou não está sob seu controle.
Um exemplo de investimentos: você compra um título público, as taxas sobem e o preço cai. Ficar irritado olhando a cotação todo dia não muda o preço. O que você pode fazer é analisar se o investimento continua adequado aos seus objetivos e decidir de forma racional. Na vida é igual: não controlamos os outros, a economia ou a política, mas escolhemos como reagir.
Perdão: quem está preso é você
Dizem que o ressentimento é um veneno que tomamos todos os dias esperando que o outro morra. Perdoar não é concordar, esquecer nem continuar convivendo com quem nos prejudica. É decidir que aquela pessoa não vai mais ocupar espaço na sua mente.
Pior ainda é não se perdoar por uma decisão financeira errada, um negócio que não deu certo ou algo que você fez a alguém. Se Deus, ou o seu mestre espiritual, já te perdoou, por que você não se perdoa? O passado não muda. Aceite o aprendizado e, como disse Jesus, vá e não peques mais.
Responsabilidade ou preocupação: como entregar o fardo
Florence já falava de subconsciente. Ele comanda a maior parte das nossas ações, então cuidado com o que você coloca nele, como ficar rolando notícias antes de dormir.
Preocupação é "pré-ocupar" a mente. Responsabilidade é fazer o que precisa ser feito; preocupação é continuar sofrendo depois de já ter feito tudo ao seu alcance. Posso organizar minhas finanças, mas não garantir que nunca vou passar necessidade.
Uma frase que me ajuda: "Eu entrego e sigo o meu dia." Ela não resolve os problemas magicamente, mas muda como você convive com eles. Ao acordar e antes de dormir, quando o subconsciente está mais aberto, troque o celular pela gratidão: abra a janela, olhe o céu e agradeça.
Amor e a arte de não reagir
O amor do livro não é o romântico; é benevolência e generosidade. O ser humano é muito reativo, e contar até 10 faz todo sentido: a reação para e a ética entra no caminho. Você prefere estar certo ou ser feliz? Opte por ser feliz.
Se alguém te entrega coisa ruim, devolva amor. Se insistir, se afaste, mas não deixe o outro definir quem você é. No bullying, o agressor quer que você revide; quando você devolve amor, ele desiste.
Intuição, silêncio e meditação
Florence fala em ouvir a intuição sem abandonar o bom senso. Eu converso com Deus mentalmente: pergunto até que vem a resposta, com a minha voz, mas uma voz amorosa, que diz o que é certo. É um treino.
Aprendi muito num curso de meditação Vipassana: dez dias em silêncio, meditando da madrugada à noite. Lá descobri o Deus que habita em mim. Acreditar é uma coisa; saber muda tudo.
Quando estamos presos aos problemas, a mente tagarela abafa a intuição. Um exercício simples: feche os olhos por 5 a 10 minutos e observe a respiração e as sensações do corpo. O nariz está quente ou frio? Há alguma coceira ou desconforto? Focar no físico ajuda a silenciar a mente.
Missão de vida e afirmações diárias
A autora fala em "projeto divino", que nada mais é que uma missão de vida. Quantas pessoas trabalham a vida inteira para pagar contas e, ao se aposentar, não sabem o que fazer? Precisamos de algo que nos faça querer levantar da cama: ensinar, cuidar de alguém, criar, ajudar. Não precisa ser grandioso, e o propósito não tem prazo de validade. A minha missão é ensinar.
O livro também propõe substituir crenças limitantes por afirmações, algo que hoje chamaríamos de reprogramação mental ou PNL. Troque "não sou capaz" por "sou capaz de aprender e superar dificuldades". Na minha lousa estão: "Eu escolho fazer", "Eu separo o importante do urgente" e "Eu escuto ativamente as pessoas". Escolha uma frase e deixe à vista. Mas afirmações não substituem atitudes.
Liberdade financeira não é tranquilidade emocional
Apesar de toda a evolução tecnológica, nossos desafios seguem os mesmos: medo, preocupação com o futuro, vontade de controlar o que não depende de nós. Talvez a pergunta não seja quanto ainda precisamos conquistar, mas quando vamos começar a viver com tranquilidade o que já conquistamos.
Trabalho com educação financeira porque acredito que o dinheiro pode trazer liberdade. Mas estou cada vez mais convencido de que liberdade financeira e tranquilidade emocional não são a mesma coisa. Podemos trabalhar, planejar e investir, e também confiar, agradecer, perdoar e aproveitar o presente.
Eu faço a minha parte, agradeço pelo que tenho, confio no que virá e sigo o meu dia.
- Pense numa preocupação que tira seu sono
- Pergunte: existe uma atitude concreta para resolver?
- Se existe, tome essa atitudeIsso é responsabilidade
- Se já fez tudo ao seu alcance, entregueEu entrego e sigo o meu dia
Momentos da live
- 8:10 A frase de abertura do livro: a vida não é uma batalha, é um jogo
- 13:30 Lei da prosperidade: preparo, oportunidade e abundância
- 19:30 Quanto é ter dinheiro suficiente? A diferença entre sonho e meta
- 22:50 O poder da palavra e as crenças limitantes
- 29:30 Lei da não resistência: parar de lutar contra o que não controlamos
- 34:32 Perdão aos outros e a si mesmo
- 38:40 Entregar o fardo: responsabilidade x preocupação
- 1:11:07 Reflexão final: liberdade financeira x tranquilidade emocional
Assista à live completa no YouTube
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